Pará

População paraense deve rejeitar divisão do Estado em plebiscito hoje

11/12/2011 -06h50

SILVIO NAVARRO ENVIADO ESPECIAL A MARABÁ (PA) RODRIGO VIZEU ENVIADO ESPECIAL A SANTARÉM (PA) AGUIRRE TALENTO DE BELÉM

A população do Pará vai às urnas hoje para decidir pela primeira vez no Brasil sobre a criação de novos Estados, num plebiscito marcado pela ampliação do ressentimento nas áreas que desejam se emancipar e que será decidido pela força do eleitorado da região de Belém.

Cerca de 4,8 milhões de eleitores do Estado foram convocados a opinar se o território de 1,2 milhão de km² e repleto de diferenças culturais e econômicas deve ser repartido em três –Carajás, Tapajós e Pará.

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As campanhas das frentes favoráveis e contrárias à divisão terminaram em clima tenso, com o envolvimento do governador, Simão Jatene (PSDB), contra a partilha.

Segundo Datafolha divulgado ontem, 65% dos eleitores não querem a criação do Carajás, e 64% são contra a separação do Tapajós.

A ala antidivisão teme que o índice de abstenção no entorno de Belém seja alto, o que poderia ser decisivo.

Alguns fatores podem influenciar, como o feriado do servidor público na quinta-feira, que acabou emendado na região metropolitana da capital, e o desconhecimento sobre o número para votar.

A população do que seria o Pará remanescente, majoritariamente antidivisão, é muito superior à soma dos moradores das áreas separatistas: 4,6 milhões, ante 2,9 milhões.

O Pará é um dos Estados que registra historicamente alta abstenção: 21% no primeiro turno de 2010, e 27% no segundo turno.

A frente antiseparação já dá como certa a vitória e já demonstra preocupação com as sequelas do plebiscito. “Na sequência, tem que haver gestos de conciliação e esperar por um novo olhar do Brasil”, disse o deputado Zenaldo Coutinho (PSDB).

ISOLAMENTO

A Folha visitou os municípios que abrigariam as capitais dos novos Estados –Marabá e Santarém. Nessas cidades, a queixa recorrente é de abandono pelo poder central, Belém. Estudo do Idesp (Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará) aponta que o território do Pará que sobraria recebeu, em 2010, mais investimentos que os outros dois: R$ 223 per capita, contra R$ 96 do Carajás e R$ 60 do Tapajós.

Já os críticos à divisão afirmam que o Pará reduzido perderia 44% do PIB atual, áreas de florestas preservadas do Tapajós e jazidas de minérios do Carajás.

Outra questão é o impacto federativo. Se aprovada a separação, serão criadas duas novas Assembleias, o que aumentaria o gasto público.

Seriam criadas mais seis cadeiras no Senado e, pelo menos, oito vagas na Câmara dos Deputados para cada novo Estado, conforme determina a Constituição.

Estudos mostram que a cisão criaria três Estados deficitários, embora Carajás tenha força econômica pela exploração de ferro.

Tapajós nasceria pobre e isolado geograficamente, e o Pará reduzido perderia recursos em contraste ao tamanho da população.

Editoria de Arte /Folhapress