Inflação

Copom eleva a taxa Selic para 12,50% ao ano

20/07/2011 18:58:00

Brasília – Avaliando o cenário prospectivo e o balanço de riscos para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic para 12,50% a.a., sem viés.

 

Brasília, 20 de julho de 2011

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Inflação

Reajuste do mínimo em 2012 tornará mais difícil controle da inflação, dizem especialistas

17/04/2011 – 11h04

Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O governo enfrentará um desafio para trazer a inflação de volta ao centro da meta em 2012. Se os preços subirem nos próximos meses conforme o previsto pelos analistas financeiros, o salário mínimo será reajustado em 14% no ano que vem. Por um lado, o aumento injetará mais renda na economia e estimulará o crescimento. Por outro, o mínimo agravará o desequilíbrio fiscal e elevará a pressão sobre o custo e os preços.

O reajuste do salário mínimo é consequência da fórmula aprovada pelo Congresso Nacional e que valerá até 2014. Pela regra, o mínimo será corrigido no início de cada ano pela inflação do ano anterior e pela variação do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores. Dessa forma, o aumento em 2012 será de 7,5% (crescimento do PIB em 2010) mais a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2011.

O mercado não tem estimativas sobre o INPC, mas trabalha com projeções para a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que tem base de dados semelhante ao INPC. De acordo com o Boletim Focus, pesquisa com instituições financeiras divulgadas toda semana pelo Banco Central, o IPCA deve fechar 2011 em 6,26%. Se forem somados o crescimento e as estimativas de inflação, a correção ficaria em pelo menos 13,76%.

“A política de reajuste resultou no pior dos cenários possíveis para o governo, que é de inflação alta combinada com o crescimento extraordinário de 2010”, ressalta o economista-chefe da consultoria Austin Rating, Alex Agostini. Para ele, o reajuste recorde do mínimo acentua a preocupação com o controle da inflação porque injetará um volume considerável de dinheiro na economia num momento em que o consumo e a produção precisam ser desaquecidos.

De acordo com relatório da consultoria LCA, divulgado no início da semana, o aumento do mínimo no ano que vem acrescentará R$ 9 bilhões na economia brasileira. Segundo Agostini, a circulação desse montante poderá até anular os esforços do governo para conter a inflação e agravar a alta no preço dos alimentos. “O mínimo maior vai impulsionar o consumo das classes de baixa renda, que consomem mais itens como alimentos e bens não duráveis. Quando aumenta a demanda, a tendência é que o preço também suba”, explica.

O economista-chefe do banco West LB, Roberto Padovani, ressalta o desequilíbrio fiscal como efeito colateral do reajuste. Isso porque o salário mínimo corrige os benefícios dos aposentados e pensionistas que recebem o piso. Para cada R$ 1 de aumento, a despesa extra é de R$ 184 milhões por ano segundo a própria equipe econômica.

Para os dois especialistas, o governo terá de aumentar o rigor nos gastos públicos e apertar a política monetária (aumentando juros e restringindo o crédito) para impedir que a inflação fuja do controle no próximo ano. “O governo não poderá mais tratar a inflação com medidas paliativas”, diz Agostini. Na avaliação dele, o ideal seria que o corte de R$ 50,7 bilhões fosse aumentado e que o Banco Central reduzisse a postura gradualista no combate à inflação com uma política mais agressiva de alta dos juros.

Padovani acredita que o Banco Central não está tecnicamente errado ao abandonar o centro da meta de inflação este ano, como anunciado no fim de março. “Quando ocorre um choque de preços provocados por fatores externos, como no caso dos alimentos, os manuais recomendam isso mesmo”, diz.

O economista do West LB, no entanto, afirma que o governo precisa endurecer as políticas fiscal e monetária para mudar as expectativas do mercado, principalmente tendo em conta o impacto do salário mínimo no próximo ano. “Pode até ser que a inflação tenha condições de convergir para o centro da meta em 2012, mas o governo, ainda precisa construir uma reputação de que está lutando contra a inflação”, avalia.

Edição: Aécio Amado

Inflação

Aumentam dificuldades para o controle da inflação, segundo economistas

11:47
12/03/2011

Stênio Ribeiro

Repórter da Agência Brasil

Brasília – Os recentes aumentos de preços do álcool e dos demais combustíveis mostram, na prática, que se torna cada vez mais difícil trazer a inflação para próximo da meta anual de 4,5%, de acordo com o professor de economia da Universidade de Brasília (UnB) Roberto Piscitelli.

Segundo ele, a falta de álcool, alegada pelos usineiros, deu-se em função do desvio de parte da produção para ganhar com os altos preços do açúcar no mercado externo. Uma questão, portanto, passível de controle interno. Mas, no caso dos combustíveis derivados de petróleo, o Brasil não tem como controlar os preços internacionais.

Por essa razão, Piscitelli manifestou-se cético quanto à avaliação do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que manteve estimativa “zero” de reajuste acumulado para a gasolina e o gás de cozinha neste ano, como revelou ontem (10) a ata da reunião do Copom, na semana passada.

Ele disse que em função, principalmente, da instabilidade política em países produtores de petróleo, no Norte da África e no Oriente Médio, “é difícil segurar os preços do produto lá fora, com reflexos na cadeia de consumo no mercado doméstico”.

De acordo com o professor, embora a Petrobras seja grande o suficiente para garantir o abastecimento interno, “ela é uma empresa internacional, e não pode se descolar das ingerências de mercado”. Neste ponto não tem saída, e quando o petróleo sobe, quase tudo o mais acompanha, disse Piscitelli.

Mais uma razão também, segundo ele, para duvidar da estimativa de 4% para o reajuste acumulado dos preços administrados por contrato ou monitorados (combustíveis, energia elétrica, telefonia fixa, água, transporte público, saneamento, saúde, educação e outros). Bens e serviços que representam quase um terço na composição do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve de parâmetro para as correções oficias.

A dúvida se manifesta porque, segundo ele, o ano começou com forte concentração de reajustes de preços em alguns itens administrados, como impostos sobre propriedade de veículos e de imóveis urbanos, além de educação e de transporte público em algumas capitais. Alguns, acima da inflação dos últimos 12 meses, e agora o governo acaba de autorizar reajustes nos preços dos medicamentos até 6%.

Ex-servidor do BC, com atuação no Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF), Newton Marques também manifesta dúvidas quanto à meta de 4% para os preços administrados neste ano. Principalmente porque o Índice Geral de Preços (IGP), que está acima de 11%, é utilizado para indexar contratos de aluguel e de contas de luz, por exemplo.

“É difícil segurar os preços, quando eles aumentaram muito”, principalmente por causa da existência de um mercado consumidor forte, segundo Newton Marques. No momento, ele não vê horizonte para que a inflação, hoje de 6,01% nos últimos 12 meses, se reaproxime do centro da meta de 4,5%.

A arma mais comum, usada pela autoridade monetária para combater a inflação, tem sido o aumento da taxa básica de juros (Selic), que está em 11,75% ao ano e é a mais alta do mundo desenvolvido ou em desenvolvimento. Mas ele lembra que “a alta dos juros tem custo muito alto, além de manter o Brasil na contramão dos outros países, que estão com taxas próximas a zero”.

Edição: João Carlos Rodrigues